POEMA DA ROSA (Mais um do Recanto)   Leave a comment

POEMA DA ROSA

“Era uma existência mais elevada que as outras,entre o céu e a terra, acima das tempestades;algo de sublime.Quanto ao resto do mundo,estava perdido,sem lugar determinado e como se não existisse”.
Gustave Flaubert

Às vezes a chuva cai e traz consigo meus pensamentos
Mais impossíveis.

Ontem, por exemplo, pensei e sonhei
Dominar o dialeto das Rosas.
Bailantes ao vento, elas choravam
Sob o negro das nuvens e o beijo das águas.

Achei que tinham medo da morte…

Quando o Sol surgiu vermelho no horizonte,
As Rosas me pareceram ainda mais belas
E já não choravam
– Ouvi Cânticos,de amaríssimos acordes,
Ressoando seus mais dulces sons de éter e firmamento.

Então perguntei:
– Aquela tristeza era porque chovia e vocês poderiam ter suas raízes
arrancadas pela força da tempestade?

Elas me responderam:
– Não. Chorávamos de felicidade, pois a chuva nos deu
a força e a graça de poder espalhar nossas sementes
e assim perpetuar a vida.

E acordei do meu sonho.
Carregava na mão uma Rosa,
Que já não precisava falar.

Eu a entendia perfeitamente.

E um sangue feroz brotava em mim
Numa ferida feita por espinhos que eram meus. Somente meus.
E eu não sabia.

 

 

Samantha Medina

Recife,Agosto de 2007.

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Posted Outubro 25, 2010 by samanthamedina in Poemas

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