POEMA DA ROSA (Mais um do Recanto)   Leave a comment

POEMA DA ROSA

“Era uma existência mais elevada que as outras,entre o céu e a terra, acima das tempestades;algo de sublime.Quanto ao resto do mundo,estava perdido,sem lugar determinado e como se não existisse”.
Gustave Flaubert

Às vezes a chuva cai e traz consigo meus pensamentos
Mais impossíveis.

Ontem, por exemplo, pensei e sonhei
Dominar o dialeto das Rosas.
Bailantes ao vento, elas choravam
Sob o negro das nuvens e o beijo das águas.

Achei que tinham medo da morte…

Quando o Sol surgiu vermelho no horizonte,
As Rosas me pareceram ainda mais belas
E já não choravam
– Ouvi Cânticos,de amaríssimos acordes,
Ressoando seus mais dulces sons de éter e firmamento.

Então perguntei:
– Aquela tristeza era porque chovia e vocês poderiam ter suas raízes
arrancadas pela força da tempestade?

Elas me responderam:
– Não. Chorávamos de felicidade, pois a chuva nos deu
a força e a graça de poder espalhar nossas sementes
e assim perpetuar a vida.

E acordei do meu sonho.
Carregava na mão uma Rosa,
Que já não precisava falar.

Eu a entendia perfeitamente.

E um sangue feroz brotava em mim
Numa ferida feita por espinhos que eram meus. Somente meus.
E eu não sabia.

 

 

Samantha Medina

Recife,Agosto de 2007.

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Posted Outubro 25, 2010 by samanthamedina in Poemas

DE PRESENTE…   Leave a comment

Reservo este espaço hoje para compartilhar com vocês um grande presente de aniversário que ganhei. PRIMAVERA V. Isso mesmo. Esse meu bom amigo, Luan Silva,  resolveu continuar a saga dos poemas sobre esta estação (que postei aqui) e, agora, compartilho com vocês esse texto, tão lindo e tão sincero.


PRIMAVERA V

“Espere, doce menina!”
Ouvi uma bela voz , suave como a brisa
que passara por minha face trazendo o perfume do momento.
“Não feches a porta!
Sou teus Verões,
o mesmo que desencadeou as paixões mais febris.
O próprio!
Que te dá o brilho nos olhos, pelo glorioso passado.
E que nunca queimei tua pele branca, por sinal de tua sabedoria.
Teus Verões!
Aquele que na tua meninice
fazia dançar como fogo a tua cabeleira rubra.
Eu, que deixava chover um pouco
para te dar de presente o cheiro de terra molhada.
E levava com as vagas de um mar profundo teus piores pesadelos.”
Outra voz se anunciou:
“Também me deixes entrar!
Afugentei, há pouco, o que eu anuncio!
Sou o Outono, Bela Dama.
Para ti trago o doce, acolhedor e suave frio.
O mesmo que te faz rolar preguiçosa nos lençóis de tuas lembranças.
Sou o Outono de Outrora!
Aquele que te faz rever o trajeto.
Te trás a calma triunfante, o sábio silêncio e o dom do drama.
Eu e eu mesmo
que te deixa presa num labirinto de espelhos
na forma do infinito para que recordes tua eterna complexidade.”
Um canto do coral do Passado
me fez chegar à Primavera do Presente.
E me deixou mais incerta do que nunca sobre o Futuro…
Ouviu-se:
“Ó Mulher das Madeixas de Fogo,
Sinhazinha das Palavras de Mel,
Voz dos Antigos Bardos,
Deusa nos rabiscos no papel.
Poderosa Estrela do Teatro da Vida.
Veste faces, vozes e sorrisos de quem não era.
Honras à Ti que és filha, portanto
Dama da Primavera.”
Quando abri a porta
não havia Outono, Inverno ou Verão.
Apenas um lindo ramalhete de flores, tão vivas quanto a Estação.
Luan Silva para Samantha Medina – 07/10/2010

Posted Outubro 8, 2010 by samanthamedina in Poemas

MANCHETE   3 comments

Hoje pela manhã, a manchete de capa de um jornal popular (e sensacionalista) aqui de Recife me chamou bastante a atenção:

“Mulher segura tiro de revólver com  dente!”

Duas mulheres que haviam saído da praia, passaram em frente à banca de revistas e uma comentou com a outra:

– kkkkkkk. Óia aí, fulana! Que mentira danada!!! Danou-se! É a ninja é?!! Que golpe danado!! É tiro de karatê!!!!

… Elas compraram o jornal e depois foram embora.

Entre mortos e feridos, a Educação Nacional agoniza  esperando o tiro de misericórdia….

Posted Outubro 1, 2010 by samanthamedina in Confissões

COISAS DE AVÓ…   1 comment

Depois do jantar de domingo, a avó me pega sentada no sofá folheando o jornal do dia. Num sobressalto, ela se dá conta do adiantado da hora e diz :

“Vai dormir,menina, que amanhã é dia de Branco!”

Imediatamente pensei em tirar uma onda e dizer: “Ei Vó, relaxe… Amanhã é dia de branco, de preto, de amarelo, de índio…”

Mas não disse nada. (É que a simplicidade é coisa linda, que toma  a palavra e mareja os olhos).

Cada um com a sua Poesia…

Posted Outubro 1, 2010 by samanthamedina in Confissões

PRIMAVERA IV (Último texto da série)   2 comments

Esta jovem Primavera derrubou uma alta cúpula:
Às nuvens deu-se a ordem de que não ensombrecessem.

O sol é como o chefe dos rebeldes entrando numa aldeia
E essas flores de tal forma desejam o meu abraço
Que até as pedras da montanha parecem querer desabrochar.

Entretanto,
As lembranças de um inverno triste me abriram as janelas e os torreões com profunda reverência…

Mas não entrei: bati com força a porta assustadora.

22/09/10

Posted Setembro 22, 2010 by samanthamedina in Poemas

DOMINGO…   2 comments

Meus amigos,
Hoje não movimentarei este espaço com mais uma das minhas tentativas de poesia. Não. Minha intenção é outra. Gostaria de compartilhar com vocês algo mágico que aconteceu comigo. Acreditem: Aconteceu sem mais nem menos, sem motivo, sem que eu pedisse…de supetão mesmo. É que eu ganhei um grande presente: Ganhei o SORRISO DE UMA CRIANÇA! Juro: não fiz absolutamente nada para merecê-lo. Pelo contrário: depois de uma noite mal dormida, de não ter decorado meu texto, de levantar cedo num domingo e de sair atrasada pro meu ensaio, cheguei naquele lugar com uma cara tão amarrada que parecia que o mundo inteiro estava sobre as minhas costas… No entanto, meus amigos, o que eu recebo em troca? Recebi aqueles olhos tão inocentes, aquele sorriso tão sincero… Imediatamente, minha cara carrancuda se desfez. (Confessem, não há quem resista a uma surpresa dessas…)E eu lhes pergunto: Que poder é esse, que facilidade é essa que somente as crianças possuem de derreter até mesmo os corações mais distraídos? Será,verdadeiramente, algo mágico?

Pois bem, depois de um tempo, quando tornei do susto que aquela criaturinha havia me causado, olhei do lado e vi somente uma  mão muidinha acenando em minha direção. Retribuí. E ela foi embora… Foi embora sem saber do imenso e inesquecível presente que tinha me dado…

É fato: Sinto-me outra.

É como se aquela criança tivesse me ensinado a brincar de novo…

Posted Setembro 19, 2010 by samanthamedina in Confissões

PRIMAVERA III   3 comments

III

Hoje tem festa para a Primavera:

Lá fora já estacionam os carros,
Mulheres desfilam seus vestidos
E a música já conduz as suas danças…

Perto da janela,
Uma rubra Rosa desabrocha,
Despertada pelo beijo
Que o baile parou pra ver…

15/09/10

Posted Setembro 16, 2010 by samanthamedina in Poemas